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PhotoPro entrevista Jack Usephot, o criador da tela do Photoshop CC 2015.5

O Grupo PhotoPro conversou com Jack Usephot, o criador da nova tela da atualização do Photoshop CC 2015.5. Nesta entrevista, Jack conta como teve a ideia, a emoção ao receber o comunicado da Adobe, a felicidade em ver o cantor Chris Brown compartilhar sua arte e também a importância do Grupo PhotoPro em seu aprendizado. Confira:

Impossible Sea_jack_enmtrevista

PhotoPro – Qual o projeto escolhido para ser capa do Adobe Photoshop? Como foi a concepção da ideia e o processo de produção do projeto? 

Jack – O projeto escolhido foi o Impossible Sea, que está no Behance. Eu já tinha feito um trabalho neste tema que era um aquário também (Isometric Tsunami), só que era uma onda. Foi um trabalho bem legal, o primeiro trabalho autoral que teve uma boa visibilidade no Behance, uma boa aceitação.

Eu curti pra caramba o retorno e conheci o Fabio, que assim como eu é de Sorocaba (SP) e adora este tema de água. Eu gosto muito dos trabalhos dele, queria fazer alguns trabalhos nesta “vibe” também.

Assim eu ganhei um livro do M.C. Escher, de 1890. Tinha muita coisa legal de ilusão de ótica, alguns trabalhos dele com a escada. Eu me amarrei naquilo, e fui buscar mais coisas na internet. Achei o Triângulo de Penrose e várias outras formas impossíveis e estudos que as pessoas faziam.

Achei muito legal e foi aí que decidi fazer algo nesta linha e partir pro aquário. Era uma coisa que estava na minha cabeça. Isso demorou algum tempo, porque a imagem do aquário da onda (Isometric Tsunami) foi feita em dezembro de 2014 e eu só fui começar a fazer esse novo aquário com o Triângulo de PenRose em junho de 2015. Passou um tempo e fui fazendo outras coisas, mas a ideia estava ali. Então o conceito mais ou menos surgiu através do trabalho do Escher mesmo, lendo o livro, quando fiquei maravilhado e me deu várias ideias.

entrevista_jackProjeto Isometric Tsunami inspiração para Impossible Sea – Adobe Photoshop CC 2015.5

PhotoPro  – Como a Adobe “encontrou” a sua imagem? 

Jack – Bom, foi simples. Foi através da rede social da Adobe, o Behance. Eu tenho meu portfolio lá desde 2014, quando eu estava começando com retoque e manipulação. Não tinha muita noção e referência ainda, não sabia o que eu queria fazer e que estilo queria fazer. Através do Behance eles me mandaram um e-mail dizendo que eles queriam utilizar a minha imagem na identidade visual do Photoshop 2015.5. Ou seja, foi através do Behance: não mandei pra eles nem nada, eu só fiquei ali, “boiando” na rede deles e aconteceu!

entrevista_jack_be                                                                             Clique aqui e conheça os trabalhos do Jack

PhotoPro  – Você usa o Behance. Em sua visão, o quanto o Adobe Behance ajuda os profissionais criativos a conseguirem mais trabalhos e contatos?

Jack – Apesar de ter 33 anos, nesta parte de retoques eu sou muito novo, então aconteceu tudo muito rápido e pra mim esta rede – Behance – é fantástica. É uma porta para o mundo. Hoje todos os trabalhos que eu faço são através do Behance, praticamente é muito difícil chegar alguém de outra fonte, que vem de outro lugar. Então eu acho que o cara que quer desenvolver, tem que estar dentro desta rede, estar absorvendo e cercando os trabalhos que tem lá dentro. Tem muita coisa espetacular, tem uma galera lá de outro mundo, então com certeza o Behance ajuda muito.

PhotoPro  – Qual foi a sua reação ao saber que sua imagem foi escolhida para ser capa da nova atualização do Adobe Photoshop? 

Jack – Olha, quando eu recebi o e-mail, eu tenho até aqui no meu Facebook, eu publiquei o e-mail e escrevi como se estivesse gritando, eu pulava aqui com a minha família – mesmo minha família não sendo da minha área criativa. Eu fiquei maluco, não tem como descrever!

Eu fiquei sabendo dois meses antes, tive que assinar algumas papeladas, eu sabia que dali algum tempo o trabalho iria aparecer lá na tela de apresentação, mas só o fato de ter recebido o e-mail e ser contatado por eles, foi uma coisa fantástica! Na hora eu já sabia que estava acontecendo, eu fiquei um tempo ali pensando em tudo aquilo, mas é uma sensação inexplicável.

PhotoPro  – O cantor Chris Brown postou seu trabalho no Instagram. Como foi para você ter este reconhecimento? 

Jack – Como eu falei, é tudo muito novo e tudo aconteceu muito rápido. Foram dois anos de muita ralação, muito estudo, muita imersão, horas e horas dedicadas, muita frustração. Eu acho muito importante o profissional saber lidar com isso, porque neste mercado é uma coisa natural.

Mas esta parada do Chris Brown foi algo fora das proporções, que nunca passou pela minha cabeça. Ele é do meio artístico, é inexplicável! Eu acho que sou um cara que tem muita sorte, mesmo achando que não. Mas neste ano eu tive sorte. O ano passado foi um ano de bater na trave, com frustrações aqui e ali, de aprendizado também, mas as coisas não aconteceram no ano passado e ficaram patinando.

Neste ano já começa arrebentando, então estou colhendo o trabalho do ano passado. Tudo que ralei no passado, desde do meio de 2014 pra cá que eu tenho trabalhando pesado, para poder desenvolver e crescer.

PhotoPro  – Você trabalha muito com fusões. Como se dá seu processo criativo no planejamento de uma fusão, ou seja, antes de começar a fazer de fato a fusão no Photoshop?

Jack – Vou falar dos trabalhos pessoais, pois os trabalhos dos clientes têm tipos diferenciados de processos pré-Photoshop. Às vezes o cliente me manda um storyboard, rascunho, conceito, varia muito dependendo do cliente.

Quando eu falo de trabalhos pessoais, eu posso dizer que gosto muito de séries e filmes, isto sempre influencia a gente. Fico olhando as paisagens do que assisto e isso me influencia demais, sem contar no trabalho de outros artistas, concpet art – que pretendo estudar mais.

Gosto muito de concept e estou sempre vendo, traz grande influência, pois as “landscapes” que eles fazem são absurdamente lindas. Então eu junto essas ideias, vou salvando coisas, vou “printando”, deixando ali do lado.  E naturalmente aquilo vai formatando.

Se quero fazer uma “landscape” medieval, vou formatando a ideia com as coisas que vou pegando ao longo do tempo. Se vi um filme ou série com elementos legais, vou juntando em pastas de trabalho no computador ou anotações, e quando eu pego a pasta vejo que já tem algo formatado, só falta algum detalhe.

Pego tudo aquilo e faço a junção no papel para ver se vai funcionar. Não exatamente em desenho, mas pensando no projeto. Depois que eu já tenho a ideia definida do que eu quero fazer, aí vou procurar os assets. Esta é a “brincadeira” que vai tomar mais tempo, é hora de procurar todas as imagens possíveis para fazer a composição deste trabalho. Quando você tem a imagem definida e bons assets você consegue um rendimento muito melhor se sua ideia estiver definida. O Photoshop será mais rápido do que toda essa parte anterior de pesquisa e formação do conceito do trabalho.

entrevista_jack_02Projeto de Jack –Newland

PhotoPro – Quais são os principais programas/aplicativos que você utiliza em seu fluxo de trabalho? 

Jack – Eu uso basicamente o Adobe Bridge para gerenciar os arquivos e o Photoshop para executar o trabalho. No dia a dia dos trabalhos comissionados, uso ferramentas como Skype, importante para falar com os clientes, e o e-mail que segue fundamental para receber informações sobre projetos, controle de pagamentos e trocar informação com os clientes. Mas, no trabalho, é Adobe Bridge e Photoshop mesmo.

PhotoPro – Qual a importância do Photoshop no desenvolvimento de seus projetos?

Jack – Tem importância total porque é um software que não tem concorrentes. Hoje é muito difícil alguém abrir mão de uma ferramenta como essa para uma ferramenta que está chegando. Nunca vai existir um concorrente para o Photoshop. Ele então é de suma importância. Todos os meus trabalhos são feitos usando apenas Photoshop. Para mim, é a base do meu trabalho.

PhotoPro  – Se você pudesse escolher uma ferramenta do Photoshop como a que você considera mais indispensável, qual seria e por quê? 

Jack – É difícil, mas acho que as mais básicas. Se for pra falar uma, o Brush. É a ferramenta indispensável do Photoshop porque é a que mais uso no dia a dia. Talvez a máscara também, pois eu uso o Brush com a máscara.

entrevista jack

Projeto de Jack – The Spiritual Monk

PhotoPro  – O quanto os cursos e tutoriais do Grupo PhotoPro/Alexandre Keese te ajudaram a desenvolver seu conhecimento nos aplicativos Adobe? 

Jack – No início, o material do Alexandre Keese/Grupo PhotoPro foi fundamental, porque eu não tinha base alguma do programa, não sabia onde começar no software. E quando eu adquiri os materiais eu tive um direcionamento no uso das ferramentas.

Tem muita coisa na internet “free”, mas não tem uma direção, este é o grande problema. Você nunca sabe quando vai usar aquilo, quando vai aplicar, e te deixa mais perdido. É muito superficial porque você só aprende aquilo, “como fazer uma mão pegando fogo”, por exemplo. Ok, você aprende, mas como usar aquilo em outra aplicação, em outra coloração?

O material do Alexandre me ajudou neste aspecto: me deu uma visão geral das ferramentas e uma visão minuciosa do que eu podia fazer com cada uma delas. Isso me ajudou muito.

PhotoPro – Seu trabalho é hoje a abertura da nova atualização do Photoshop. Que mensagem você deixaria aos profissionais criativos brasileiros que almejam chegar onde seu projeto chegou? 

Jack – Bom, a mensagem é simples: não desista! Procure estar em constante evolução. Para isso, você precisa sacrificar seu ego, gastar tempo, trabalhar duro, mas não desista. Eu tomei vários “tocos”. Quem nunca tomou nessa área, né? É normal, faz parte do processo.

Há 3 tipos de criativos nesta hora: o primeiro é o que não sabe lidar com crítica e resolve ficar na zona de conforto – que foi onde eu fiquei durante três anos, onde só meus amigos comentavam o que eu fazia, nos grupos que eu participava pessoal sempre elogiava, não tinha uma crítica pesada em cima. Com isso, a pessoa fica na zona de conforto, não há evolução. Saia da zona de conforto, vai pra cima, seja testado! É uma forma de você lidar com a frustração. O segundo tipo é o que simplesmente desiste, fala: “nunca vou chegar”. Ele está frustrado, não está feliz, aborta a missão. Não podemos ser assim.

O terceiro tipo é o que dá a cara a tapa, se cerca de referências. Foi o que eu fiz: cerquei de boas referências,  peguei os caras mais tops que eu conhecia pela internet ou pessoalmente e falei: “eu quero ser igual a esses caras”. Busquei e continuo buscando isso, ainda tenho muito a evoluir.

É como aquele ditado: todo mundo tem algo a ensinar e todo mundo tem algo a aprender. Não se feche para conhecimento, orgulho não é algo legal. Eu procuro ser uma pessoa humilde e tentar aprender com tudo mundo, e é nessa hora que você agrega algo ao seu trabalho que faz realmente a diferença. Ter humildade, esse é o caminho.

 

Confira aqui o passo a passo do projeto Impossible Sea – Adobe Photoshop CC 2015.5 

 

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